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![]() O relógio zomba de minhas rugas
Seus ponteiros pérfuro-contundentes a escavar a alma e gotejar do sangue a angústia O relógio zomba das agruras Pois mesmo que bomba exploda O tempo não para. Crava sua matemática existencial Nos braços, pernas e perdas Duas horas, o ângulo de noventa graus sugere-me uma cadeira o conforto da tarde que caminha para o ocaso O descaso da madrugada silenciosa que é rasgada pela rajada de tiros infâmia, medo e morte discretamente despejada nas encruzilhadas paradoxais. Sigo adiante pelo meio da calçada risco com passos o caminho titubeando sobre o mapa de intenções O relógio agora parou. A bateria acabou Os ponteiros morrem ambos num mesmo lugar. Homenageam a nostalgia. Da saudade renovada do que jamais ficou E mesmo tendo ido embora ficou fotografado na memória. Ainda me lembro do cheiro de jaboticaba Das folhas de outono crepitando no vento Das pétalas despindo as flores no jardim E o verão a tostar-me deixando-me vermelha e abrasiva. O relógio, o calendário e a agenda marcam, remarcam, desmarcam são datas, horas e vidas na eternidade secreta dos detalhes. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 09/09/2016
Alterado em 12/11/2016 Copyright © 2016. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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