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![]() Breve brisa
faz-me acreditar no vento Eu sinto o vento. Sinto a sua carícia. Ouço seu assobio. E o silêncio dá a trega na tempestade. Molha-se o chão... pedras escorregadias fazem dos passos, prováveis tombos O chão liso e molhado é armadilha e desconfiada passo lentamente. Breve brisa faz-me acreditar no tempo Sinto a primavera incipiente Flores mínimas perfumes sutis e a relva dançarina com cheiro de anis A embriagar-me da poesia óbvia do contrassenso Nada faz sentido. O sentido faz nada A brisa sussura segredos Jamais ditos que viram doenças. Febres transformam corpos em fogueiras... Ardendo nas inquisições da consciência. Não confesso minha culpa Não vejo a culpa alheia. Não tropeço na culpa. Nos tapetes vermelhos da vergonha. Sinto o chão crescer E a vontade de desistir. De descer o umbral descansar o corpo e partir só vestida de alma. Para como um monge sentir o vento, sentir o improvável, sentir nos instintos o animal dominado que nos transformamos em adestrado Para finitude burlesca do entardecer. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 07/10/2016
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