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céu de chumbo
céu de chumbo
nuvens cinzas porosas caem gotejando sobre o dia céu de chumbo vento frio a cotovia tímida pia quase sozinha céu de chumbo pesado, aos poucos escurecendo mostra outra luz mostra faces, facetas arestas de um cubo imaginário o azul antes poético é hoje gris o sol antes rainha de quinta grandeza cede a vez para a luz apagada e amarelada da lua poucas estrelas há no firmamento poucos pássaros voam e as nuvens se disfarçam amores corrompem o tempo braços se entrelaçam corpos se aquecem sem incendiam acendem o desejo morno e quieto um gesto de adeus um lenço bordado uma taça de vinho um frio percorrendo a sala e lembranças chovendo por fora de mim. fecho janelas tranco portas lacro corações calo vozes da consciência e nesse enorme dia nublado a ausência do entardecer deixa uma tristeza sem fim tudo é singular no plural. tanto cinza e nenhum vermelho tanto azul apagado, acinzentado me lembra phênix a renascer a poesia secreta em nós. tudo é peculiar no banal o céu anuncia o inverno que se revela em nós.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 29/07/2007
Alterado em 29/07/2007 Copyright © 2007. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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