![]() |
|
![]() A poesia complicada
despida de rima. Lirismo embotado, deprimido e arrependido. O abismo se encolheu diante de teus olhos. Torvelhinho inútil. A girar sobre a própria tontura. A tropeçar na escada infinita. Precisamos subir? O paradoxo da metáfora ambulante Que inerte, emigra da alma para o espírito. Não sinto nada. Apenas pressinto. Não amo. Tenho afetos como laivos de dor imiscíveis. A recordação é tortura desvelada. É significado ressuscitado Não quero a memória com borrões dourados. Nem a purpurina barata de fevereiro. Efêmera e áspera. Quero a dislogia poética que interrompe tudo. Que escava segredos. Quero a disformia da mutação. Que vive em contínuo ciclo. Quero ser díspar e igual. Quero ser sobrevivente enlutada Quero ser heroína covarde Que divaga sobre a guerra. E esquece de vencê-la. Somos a jaça dos símios. Somos apenas a mácula. O escambo possível diante da ausência de luz. A imaginação preenche ritos. A curiosidade constrói mitos. A poesia é a modorra que nos faz abandonar a manada. A poesia é a marcha para escapar da iniquidade. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 18/04/2017
Alterado em 18/04/2017 Copyright © 2017. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


