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![]() Perdoa minha rudeza
Perdoa minha crueldade diária e rotineira. Perdoa meu jeito subliminar Perdoa os traços apagadiços. O tracejado de reticências contundentes Feito navalhas a cortar em silêncio todas as dores do peito. Perdoa a falta de tempo Perdoa a falta de afeto, apego ou âncora Pois sou uma nau em naufrágio em busca de decifrar os abismos. E mapear a geografia dos umbrais. Perdoa a chibata das palavras ásperas Perdoa os medos que povoam as frestas e os sentimentos intrincados de melancolia e alegria. Perdoa a distância engolida pelo tempo Não sei mais de sua vida. Por quais caminhos anda e tropeça? Por quais sentidos navega e aporta? Existirão ainda o cais e o infinito? Perdoa essa poesia sem sentido com pretensões a indulto. Deixai passar a raiva. A frustração e guarda apenas o que foi melhor de mim. Guarde o relicário. Ou esqueça com saudades. Pois o poeta transforma o sofrer em lirismo absurdo e açucarado que desponta toda manhã a decorar roscas comestíveis. Perdoa. Pois a vida é o perdão da morte. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 16/07/2017
Alterado em 12/03/2018 Copyright © 2017. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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