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![]() Sou um dragão gigante Solto labaredas de fogo Palavras que queimam almas Verdades que iluminam espírito Silêncios que preenchem catedrais... Sou um dragão solerte Sonso Fico quieto num canto Encolhido Tentando ser menor Ser inofensivo Tento pisar delicadamente no caminho Respeito pedras, ervas daninhas. E, até insetos. Entendo a parede técnica reta e pintada a refletir meus pensamentos como uma tela imaginária Muitas imagens. Algumas músicas. E, rito irremediável De sobreviver. A alavanca diária do sol nascendo E as labaredas internas a inflar, queimar e das cinzas, ressurgir como uma reconstrução dialética. Sou um dragão. Pesado por consciência. Turvo pela lucidez. Meu olhar de raio-x mapeia tudo. Posiciona tudo, como num tabuleiro de xadrez. Cada peça. Seu movimento. Cada personagem. Seu valor. Sua fala e geografia. As palavras possuem geometria E a poesia circunferência. Eixo que as unem. Traduz a consciência. Há pessoas, que são Himalaias. Inescaláveis. Inatingíveis. Há pessoas, que são planícies. E até lacustres. Baixas, cheias de água. Ou rancor represado por frustração ou carência. São lágrimas, suor e remorsos. O dragão acessa o Himalaia e também as planícies. Voa por cima de tudo. Voa além de terras conhecidas. Chega ao infinito. E diante do precipício. Desafia a lógica. Destrói a metafísica. Corrompe a dialética. E, diante do olhar. Diante do ser. Da essência da luz e do mundo. Pergunta-se: Quantos dragões há no mundo? E, baixinho. Sussurrando ouço: não muitos, não muitos. E, um dia, talvez deixem de existir... E sobre a metamorfose civilizadora. Parecemos apenas indivíduos em suas trajetórias. Sisudos na espaçonave a navegar em pensamentos e naufragar em poesias. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 28/07/2017
Alterado em 28/07/2017 Copyright © 2017. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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