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![]() Tua voz é a tarde vermelha
E soa a razão entoante ébria de lucidez e espanto. Vive dormente exatamente entre fonemas labiais. Tua voz espreita nos bemóis e sustenidos da pauta de metal De fios elétricos. De notas sincopadas. Tua voz é o inverno Que faz sentir frio, tristeza e tédio. Por que razão a primavera, voltará? Por que razão o outono ainda derrubará as folhas? E no tapete encriptado Decifrar o tempo e conhecer novos frutos. Perguntas irrespondíveis. Tua voz é a chaga cancerosa a doer no meu ouvido saudades, conexões. Ilusões criptografadas Ainda que estivesse longe do mundo flanando dentro das órbitas oculares minhas ou alheias. Tanto faz. Pois o despertencimento me dá a vastidão do universo. Enquanto que a poesia me dá a solidão da rima. Tua voz reverbera um timbre. Um gemido decadente. Invisível sibilar de serpentes a denunciar a fórmula do veneno. Ouso pendurar-me numa nuvem Balançando volto a tornear a solidão com a calma de profetas ou xamãs. Inclino-me. Olho ao redor. Só há sua voz. Mas, não mais sua presença. Ouço apenas lembranças. Lampejos breves. Sinapses arquivadas. Poderia acreditar que as bani. que as expulsei que as expurguei. Mas, tudo está travado. Como um refrão maldito. Há sinais invisíveis. Harpas inocentes. Há propósitos perdidos. A mágoa de não ser. A mágoa de não ter. A mágoa que nada explica e nem consola. Tenho remorsos. Compadeço-me sozinha de minha própria trajetória. O mapa envelheceu. Atlas já não carrega mais o mundo sobre o dorso. Sobre a cama não há dossel E insetos inoculam lirismo por toda parte. E tua voz impávida. Ressoa no fundo do corredor. Em direção da porta. Será de saída? Será de entrada? Nunca saberemos. Nem eu e nem você. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 29/07/2017
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