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![]() Precisa-se de uma república de snipers
Precisamos de boa mira E algum senso de moralidade. Uma dúzia de mortos. E podemos livrarmos de todo mal, e refazer novamente a história. Precisa-se de uma república de snipers Precisamos da mira precisa Da expertise em abater. E, não de combater. Resistir é preciso. Mas, cada vez é mais curto o tempo para sobreviver Uma dúzia de sujeitos abatidos cirurgicamente E se pode salvar a pátria. Salvar o mundo. Salvar a esperança Num futuro provável. Rifles com mira periscópica Podem ser mais potentes que votos que discursos que debates que práticas pseudodemocráticas. A dor é de todos. A mira é de poucos. Toldos vedam a luz do sol. E cercam janelas, protegem olhos. Jamais a memória. Precisa-se de snipers Não precisam ter filiação partidária. Não precisam ser nacionais. Não precisam acreditar no Estado. Só precisam acertar o alvo. Abater como um corpo sem sentido. Sem humanidade Sem decência ou vergonha. Tenho vergonha. Mas minha esperança mora na possível violência. Pois a dialética fracassou. A metafísica feneceu... Resta a crença reta na abolição dos escravos, dos alienados, dos precariados. Náufragos da modernidade líquida. Refugiados da aridez da decência. Recruta-se snipers. E todo amanhã nascerá normalmente. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 05/08/2017
Alterado em 05/08/2017 Copyright © 2017. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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