![]() |
|
![]() Escafandristas estão cercados
de oxigênio e imaginação. Há DNAs soltos entre a pedra e o bisão retratado na parede da caverna, sob o rubor dos sangues. O fogo parido pelo esfregaço das pedras. A areia fina a fazer vidros. A tempestade a molhar a terra, irrigando sementes. E antecipar sombras possíveis. Escafandristas jogam xadrez. Derrubam o rei do adversário. Sobrevivem onde deveriam afogar-se. Será possível chorar dentro de escafandro? Será possível verter a lágrima, diante de uma chuva torrencial? Todas as gotas foram vertidas. Todas as mágoas foram escoadas. E varridas para além do risível. Neste jogo de verdades combinadas E de improviso paradoxal. Qual peça nos resta no tabuleiro? Saberemos qual é a próxima jogada? E como sustentar o blefe. Tenho o royal straight flush. Mas sou plebéia. No fundo nenhum jogador é sério. É um equilibrista suicida que se apaixona pela ideia da queda. O abismo lhe atrai. O incerto infortúnio lhe seduz. As faces do dado jorram inequações indecifráveis. Não adianta blefar com a vida. Paga-se com o tempo. E o tempo não volta. Amores passados. Amores requentados. No bule neurótico das saudades. Na ebulição da mocidade ou na melancolia da velhice. Nos resquícios da memória Palavras perdidas. O som dos passos bêbados. O ballet esquisito das crianças. E a gralha lá fora, a gritar uma primavera fenecida. Resta alguns verões. Muitos invernos longos. A relembrar fragilidades. A fragilidade artificial do escafrandro. O caminho das águas entre águas a verter a sólida existência. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 05/12/2017
Alterado em 16/08/2019 Copyright © 2017. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


