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Dores da alma
Dói a alma
que percorre o fio da navalha cortando-se delicadamente Nem chega a sangrar... Depois vem um alívio Uma cumplicidade Um silêncio tatuado entre paredes Mãos entrelaçadas a segurar o desejo na teia da manhã Dói a alma ver o sol nascer impunemente a esparramar-se diante de uma reta ideal A projetar sombras E colorir nuvens... Meus pensamentos curativos recitam Camões, Drummond e Florbela Espanca... E as pernas perdidas procuram fazer o caminho Mas, onde está o alvo? Haverá ponto de chegada? Haverá o cais... e atar as amarras. Mas, a alma não conhece âncoras Navega ao infinito Desafiando a lógica. Não possui dialética. Apenas a métrica um corpo premido por emoções. Saem de minhas mãos palavras esmirradas num pretenso branco do papel A tinta escorre lânguida nas redondilhas das vogais. E, tremem nos pontos finais. O apocalipse é sempre dramático. Não queremos o fim. Mas, caminhamos todos os dias para ele. Indefectivelmente. Dói a alma diante da manhã súbita É uma manhã a menos. Porque amanhã, será outra. Inédita. Inaudita. Imprevisível. Verei aquele orvalho? Encontrarei um semblante amigo? Os raios em seu declínio descerão... Religiosamente. Morrerão alguns. Nascerão outros. Entre manhãs inéditas e noites óbvias.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 08/12/2017
Alterado em 17/12/2017 Copyright © 2017. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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