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![]() Precisamos de autorizações.
Autorização para nascer.
Não basta a nidação do óvulo. Não basta toda a gestação. E, enfim, o nascimento. Precisamos romper o pulmão virgem com a primeira golfada de oxigêncio. Precisamos de autorizações
Autorização para morrer. Não basta envelhecer. Cair os pelos e cabelos. Cair os dentes. Ficar fraco, manco, cego ou surdo. É preciso ter misericórdia. As feridas não fecham. Os olhos abrem mas já não enxergam. Vegetamos sem vaso e
sem primavera. Então, precisa-se de autorização para morrer... Permite-se. Admite-se. Mas, como dói. O fim consentido. Aplacentado de lágrimas. Gotas virulentas e puxam outra gotas. E, que não me fazerm lembrar de Ouro Preto. De Minas Gerais. Do barroco castiço. No negro de olhos, pelos e fidelidade retilínea. Autorização para morrer.
Autorização para a eternidade. Para crença nefanda de que nada tem fim... Continuam por reticências. Continuam em alma e em essência A espalhar na cidade um aura espessa de significados. Você não morreu.
Morrerá comigo. Quando eu me for. Quando eu finalmente parar de existir E todas as palavras forem poéticas. E todas as concessões poéticas. Todos desvarios forem líricos Que excedem a capacidade de estar, ser e existir. Autorização para morrer.
A autoridade não é minha. É da finitude da vida. Mas, nunca do afeto. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 29/01/2018
Alterado em 12/03/2018 Copyright © 2018. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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