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![]() Eis que nos deixam existir
A respiração lenta e profunda O calafrio a percorrer a espinha Suores nas mãos O frêmito no corpo inteiro
Febre, tosse e espirros. Uma espécie de alergia Secreções espúrias Banhos prolongados Regados a água e terapia. Eis que nos deixam existir. Nossos medos. Nosso inconsciente. Nosso sofrimento. Nossas limitações. O sapato apertado. A roupa espartilho. O cabelo assanhado A pele ruborizada pelo sol. Eis que nos deixam existir. Somos animais frágeis. Infância longa. Maturidade improvável. Leis de sobrevivência injustas. Destinos genéticos complexos. Doenças comunis. Doenças raras. Doenças incuráveis. Então, enfim, a morte se avizinha. O texto da lápide. Já escolhi o meu: "O afeto é analgésico da dor de existir". Talvez toda a trajetória tenha valido a pena. Talvez tropeçar tenha sido útil. Aprender. Errar. Apagar. Esquecer. Desmaiar de sono e cansanço. Desconectar-se
Roupas. Vaidades. Títulos. Eis que nos deixam existir. Somos pó. Apenas pó. Voltaremos ao pó. Cadeias de carbonos perecíveis. A magia invisível. O encanto palpável. De fabricar afetos. Vínculos. Sentidos e sentimentos Num crochet complicado feito por muitas mãos. Mãos que ajudaram.
Mãos que taparam a boca. Mãos que recolheram. Mãos que abraçaram. Eis que nos deixam simplesmente viver. Existir foi apenas uma etapa. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 08/02/2018
Alterado em 12/03/2018 Copyright © 2018. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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