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![]() Vendendo as palavras
entrego fonéticas firmes e sonhadoras. Vendendo as palavras dissemino semânticas abstratas e cortantes. Vendendo os sentimentos no varal dos tempos. as primaveras entrecortadas pela tragédia do frio e da solidão. Vendendo as palavras encontro um silêncio enorme que ecoa sobre as folhas despidas do outono. Meus olhos peremptos encaram os ventos, os ícones, e as ilusões com proficiente miopia A distância entre ver e enxergar. Sentir e entender. Observar e captar Viver e vivenciar Ser e ter a realidade pungente. Os dentes latentes A fome imanente E uma consciência que devora paradoxos. Há uma crise de palavras A apatia venceu e a comunicação é um deserto construído por egos jactantes. No espelho d'água reflete-se o Narciso conciso de sua paixão. Perdido em si mesmo. As palavras velam e desvelam Palavras nutrem conteúdos E, conteúdos desnudam palavras como odaliscas em mil e uma noites. Encantadas, misteriosas e indecifráveis. Há palavras solitárias que por si mesmas valem toda a mensagem Há palavras festeiras que precisam de um conjunto da alegria e energia alheia para compor uma mera mensagem. Há palavras que mentem sobre si. Que trapaceiam Que fraudam. Conquistam e descartam com a mesma dinâmica moral e cruel. Há a palavra dada. A promessa empenhada. A garantia que tudo será um sonho. um dia, uma noite, uma hora. Um instante. E, a eternidade nos consola por esperar mais momentos hesitantes. Vendendo a palavra "agora" quero esquecer o futuro, sepultar o passado e viver no exato instante em que estou, sou e mercancio todas as palavras de meu coração. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 06/04/2018
Alterado em 07/04/2018 Copyright © 2018. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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