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![]() Vivemos de silêncios miseráveis.
Quando o perdão me foi solicitado. Calei. Poderia mentir. Poderia disfarçar e ocultar a mágoa. Poderia ter engolido o pranto. Ou até fazer cara de espanto. Mas, não. Simplesmente na inércia congelei o momento na frieza glacial do silêncio. Vivemos de silêncios miseráveis. Quando o amor acabou. Feneceu e transmutou em cinzas que a tempestade lavou. Poderia ter chorado. Poderia ter sofrido. Poderia ter lamentado. Mas, não. Calei novamente. Com silêncio de monastério E nos corredores dos cânticos Esqueci o significado da prece. Esqueci de ajoelhar-me diante a divindade. E, de me sentir pequeno e inútil. Reles e esquecida. Calei novamente e com olhos poéticos percorri as feições dos santos, das santas, de suas roupas e oferendas. E, nas flores ofertadas vi tanto encanto e bondade. Vivemos de silêncios irrazoáveis. Deveria ter gritado. Deveria ter gemido Deveria ter balbuciado. Senão o perdão, pelo menos, um gesto humano. Uma carícia fonética. Fiquei estática. Reta e trôpega em pensamentos abstratos. A decorar curvas e a medir ângulos obtusos. E, agora, no entardecer. Escrevo a poesia nesse papel fino. No guardanapo. Guardo, em seguida, no bolso Assim como arquivo todos sentimentos. Numa caixa de Pandora. Sem direito a ser violada. É um bagagem perdida no mar de lirismo e silêncio. As ondas de silêncio embalam todos os mistérios e obviedades. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 04/07/2018
Alterado em 24/07/2018 Copyright © 2018. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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