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![]() Vejo com meu coração
Sua carência. Apiedo-me. Rogo misericórdia aos céus silenciosamente. Prostrando minhas veias ainda pulsantes sobre o abandono latente de sua infância. Vejo com meu coração. Sua falta de jeito. A psicomotricidade comprometida. Ninguém lhe segurou a mão para empunhar o lápis. Para desenhar a letra de seu nome Para esquadrinhar a história. sem rédeas, sem esporas, e sem cavalo baio. Só havia uma esperança. Uma singela tarde Nuvens que dançavam flamenco E como ciganas previam o futuro. E você chegou ao futuro.. Vejo com meu coração Moído. Envelhecido Que você já venceu. Mas, apenas não se convenceu disso. Venceu a infância banida Os sentimentos puídos A rejeição momentânea. O pigarro, a gagueira e o eventual sem-jeito. Apanhou-se como sujeito. Escreveu sua história. Com a sua letra. Com a sua alma. E, depois, se libertou das dores e dos medos. E, agora, também vê com o coração... Já dizia Exupery Só se vê bem com o coração. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 05/09/2018
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