![]() |
|
![]() O níquel de seu amor
Era suficiente para minha pobreza extrema. Um simples olhar seu, imantava-me. Como se fosse o raio do sol. Ou a lua com todas as estrelas. E, ao ouvir seus passos e perceber sua presença o horizonte se abria como o mar vermelho para Moisés Em seus braços todos os medos desapareciam, todos as tristezas desintegravam E, dançávamos no salão a rodopiar impunemente sem perceber que o tempo e, a plateia nos notava. E, nem sei, se nos censurava. Todos eram cenário. E, nós os protagonistas. Um níquel de seu amor Era todo meu tesouro Fechado por uma cumplicidade homicida. Matávamos nossas carências. Matávamos nossa solidão. Um níquel de seu amor tilintava no blues que ouvia... a voz rouca, os fonemas sedutores e, os corpos em incêndio recíproco e consensual. Depois, o níquel enferrujou. Azinhavre. O horizonte se estreitou e, deitou-se espremido da janela do tempo. Envelheceu sem sabedoria. Não havia sussurros. Só gritos e agonia. Seu ciúme enlouquecido A gritar por insanidade. E a premente necessidade de possuir bem maior do que simplesmente amar. Fui até a fonte. Realizei em segredo um pedido. Diante da água de minhas lágrimas e das águas que escorria da montanha. Prometi não sofrer mais. Abandonei aquele amor. Enterrei meu tesouro no mais profundo silêncio Em terras profanas. Sinto saudade daquele níquel. E, do blues a gemer dores de pertencimento e despertencimento. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 04/10/2018
Alterado em 15/08/2019 Copyright © 2018. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


