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![]() A vida é uma pendência da morte.
Enquanto vivemos acumulamos coisas, vestígios, traços e pertencimentos. Vem a morte e todo o acúmulo é lixiviado. Eliminado. Transformado em herança ou legado. Deixado. Abandonado. Pedência poética. Sem rima, sem lirismo. A vagueza de ideias dependuradas no varal do sentimento. Algumas ideias secas e desintegram-se Outras ideias, balouçantes ao vento Conspiram com a eternidade. Não morrem, são apenas reticências de nós mesmos. Uma frase inacabada. Uma poesia inacabada Uma obra inacabada. Mas o espírito é findo. O amor é finito. O esquecimento é peremptório. As ilusões alimentam enganos e devaneios. A sensação de estar presente. Mas a presença é crença. É sombra apesar da luz. É paradoxo pacífico. Há uma nesga de lirismo num copo dágua, na chuva, no orvalho. No planeta inteiro, que quase todo água. Na água do banho lavo minhas culpas áridas, lavo minhas palavras secas, E, sobretudo, a alma embriagada de poesia de rimas e beleza catatônica. A vida é pendência da morte. A morte é pendência dos sobreviventes. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 03/12/2018
Alterado em 06/12/2018 Copyright © 2018. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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