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![]() Estava noutra dimensão.
Não havia limites. Não havia dentro e nem fora. Só o infinito e as reticências bailarinas sobre o horizonte. Germinei numa placenta humana Fui expulsa pela natureza Nasci. Chorei. Cresci e tropecei muito. Até aprender a andar E, a escolher os caminhos. Em alguns caminhos, me perdi. Em outros, me encontrei. Hesitei muitas vezes. Escolhi palavras. Escolhi labirintos. Escolhi medos e incertezas. Tive consciência. Tive culpa. Tive alma e corpo. E. por vezes, somente corpo. Sensações tácteis. Hormônios em combustão. Alucinação e temeridade. Outras vezes, só tive alma. Posei em orvalhos. Viajei em versos. Em rimas, em fonemas e significados. Construi a arca. Destrui pontes. Atravessei paredes e o túnel do tempo. Vesti fantasias Encarnei personagens. E despi semânticas. E, a ampulheta a escorrer as areias do deserto Procurei encarnar a justiça. A misericórdia e a tristeza de ter a parca noção da realidade. Dura e fria realidade. Vivo noutra dimensão. E, me guardo todos os dias. Dentro de caixas. Craniana, de sapatos, da gaveta e, do coração embotado pelas veias contemporâneas. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 16/06/2019
Alterado em 16/06/2019 Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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