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![]() Deixem-me só...
Aqui na companhia das estrelas e da noite funda e intensa. Deixem-me só... Preciso desse momento. Para sorver a realidade. Para decifrar palavras e almas. Para atingir afetos, afeições e até desamores. Consolidando ciclos e paradoxos. Desatando os nós e fazendo nexos. Preciso da noite. Dos orvalhos adormecidos Das mágoas apagadiças, do rimel borrado traçando no rosto uma caligrafia qualquer. Deixem-me só.
Porque, em verdade, não estou só. Existem milhões de insetos, átomos e sentimentos vívidos e incrustados em cada respiração, na palpitação cardíaca, na dor no olho. Na inexatidão exata da medida humana. Nem é a imagem que me lembra o que preciso enxergar Preciso mergulhar no infinito
diário... dos fins dos dias, do fim de cada existência, do fim de cada resistência, para amanhã, quando alvorecer restabelecer magicamente de novo, toda a fantasia de persistir mais um dia, e, um dia que vem atrás do outro. Na dinâmica repetida e ímpar. Até que enfim, então haverá o último dia... Mas, nunca o último afeto. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 05/12/2019
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