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![]() Seu misterioso olhar, a me convidar para o infinito.
Meu receio inato, a me travar... e só me permitindo os monossílabos. Você me cortejava publicamente enquanto minhas faces em chamas ruborizadas, de tão incendiadas faziam das cinzas um réquiem da phênix... uma tradução clichê... Seu misterioso ar circunspecto... Suas palavras tal como Narciso se admiravam em pleno eco... Sua regência verbal sempre correta. Seus plurais eram como um panapaná alvorçado, colorido e feliz... Mas, no passado, suas ideias estavam em casulos feios, sofrendo metamorfose e, se alimentando de luz e observação Ciosa, cuidadosa e detalhista... Cada frame, cada ângulo, cada insight parecia nos mergulhar no abismo existente entre nós... existente em nós, apesar de nossas certezas consumíveis. Você popular e querido por todos em todos... Você ria e debochada de tudo... o que me irritava pois achava desrespeitoso. Seu humor era constante e bom... já o meu, era imprevisível... Por vezes, sua vaidade era cômica... Por vezes, sua empáfia era ridícula Pois não somos nada... viemos do pó e iremos para o pó... Podemos fazer a diferença... mas, na maioria das vezes, somos reprises malfeitas de nossos antepassados... Mesmos afetos, mesmos laços, mesmos descompassos... E na perda do ritmo somos enredados pela dinâmica inexorável do multiverso. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 14/12/2019
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