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![]() Há tantos mistérios insondáveis
O olho míope que enxerga mal ao longe. E de repente, a alma que tudo lê e mergulha no âmago do contexto. Há tantos mistérios indecifráveis. A inscrição enigmática de olhos, corpos e suores. A vertente improvável do gesto, aceno ou simples suspirar. Quantas sensações ainda existem completamente inéditas. Completamente insanas. Como o olho que perde a visão. Como a mão que perde o movimento. E, por outro lado, a capacidade de viajar numa simples brisa. A capacidade de se arremesar em furação, em ciclone ou tempestade. Lá fora a chuva miúda amortece a secura universal. Lá fora, o orvalho discreto na flor, conhece toda a primavera. Apesar de ser um lenitivo no verão. Lá fora, o granizo barulhento faz lembrar o rufar dos tambores. O coro dos escravos hebreus que celebram a liberdade. Lá fora, os grilhões de afetos que nos prendem e ao mesmo tempo nos afaga. O licor enebrinte que sussura Vá, pensamento, sobre as asas douradas Habitar desertos. Semear o impossível. Colocar-se entre os anéis de saturno ou de nebelungo... Que situa-se entre o grande poder e a maldição. Há tanto mistérios eternos. Que ultrapassarão existências e dúvidas. Mas, permanecerá vigilante o poeta Que aguarda do horizonte surgirem as asas douradas que levarão todos os pensamentos. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 08/01/2020
Alterado em 09/01/2020 Copyright © 2020. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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