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![]() Deve haver um motivo para a tristeza:
Autopiedade Se sentir inócuo, iníquo e insuficiente para a dinâmica mundana. Para a semântica de essências Num silabar sonoro Um nada, um menos que nada
uma coisa nenhuma. Ter emburrecido. Ter esquecido Ter aloprado Ter sido insano. Quando se esperava atento. Ter sido modesto Quando se esperava o exagero. Ter sido hipócrita Quando se esperava apenas ser verdadeiro ou natural. Nascemos iguais. Somos feitos de matéria equivalente. Moléculas, ossos, músculos e sangue. E, por razões sólidas. Vivemos num planeta hídrico. Imerso num multiverso enorme e desconhecido. Talvez o átomo tenha traído o fóton. Talvez o meteoro tenha traído o cometa. Talvez o abismo tenha traído a certeza. De que tudo é finito. Ou de que tudo seja infinito e eterno. Mas há a mágica da palavra.
A sedução da rima. O encantar do lirismo inconsciente Que relaciona tudo com tudo e faz do contexto um enorme crochet enigmático E autoexplicável. Deve haver um motivo para tristeza: ser poeta num mundo frio. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 15/01/2020
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