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grafia e cor
o frio conserva
as cores intensas o roxo mais parece azul o azul por vezes parece roxo há um tom violáceo nos hematomas nos calafrios a sensação térmica afeta retinas, o tato e até pensamentos sentimos saudades do calor do ventre materno do ninho que a mãe construía no berço ou no moisés o último ninho o último carinho como pode a mãe fazer um último afago em sua cria e partir assim inexplicavelmente inexoravelmente sem olhar pra trás sem titubear sem bambear as pernas caminhos tortuosos nos leva a conhecer a geometria da vida quadriláteros nos encarceram círculos viciosos nos embriagam até o vômito ou o tédio elipses pragmáticas nos faz crer no conjunto e nas partes do conjunto partes partidas de um todo irrecuperavelmente partido, rompido, corrompido pelo tempo. as cores diante do frio parecem mais vivas mais tensas como as andorinhas presas nos fios a encenar notas musicais apenas imagináveis a nos indicar uma trilha sonora íntima, rítimica como os tambores das galés romanas... intenso ritmo de vida itensa velocidade da escrita um traço e tudo se revela o egoismo, a solidão, sua força psiquíca sou fraqueza óbvia ou seu ser subliminar biografado e impresso em forma sintética por sua assinatura traçamos o mundo pela grafia a grafia decifra as pessoas como enigmas de oráculos como parábolas como lendas como signos dos signos a simbolizar a imagem e semelhança a simbolizar a crença e a verdade não posso crer no absoluto determinismo mas nas verdades entrelinhas nas palavras ditas e malditas nos versos que nos revelam e nos traem por serem anteriores a nós mesmos. as cores se mostram assim pardas pintadas em outonos de meia-idade por senhoras balzaquianas por meninas que perderam a infância por mulheres que abortaram suas primaveras.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 10/10/2007
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