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sementes da discórdia
não posso viver assim
morrer também seria indigno estou numa encruzilhada há um bemol sincopado há uma partitura partida ao meio e tudo que me resta, é uma melodia monocórdica, monossílaba esse mar de incertezas diante dos olhos, um cisco, um corisco um verso só lá tenho salvação possível nesse verso, no anverso virado de mim mesmo, no revés de mão-dupla esse riso irônico travado malvado violando gradativamente meus tímpanos o agudo perfurante de meus ossos que doem até os dentes. não posso viver assim não me conformo não aceito não aborto a genética eu juro que não comecei o apocalipse que nem fiz parte dessa elipse que não fecha o ciclo que não acaba ou me acaba? porque tanto conflito? palavras se degladiam dentro de mim e sai semântica pelos poros me deixando absorta absurda e sem sentido não há poder não há poderosos o que existe é somente marionetes adestrados, permissivos e subservientes que se comportam como capachos inverossímeis não se humilhe mais não vê que é um cadáver que está morto e cujo aceno derradeiro foi plantar aos invés de sementes, discórdias
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 18/10/2007
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