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![]() Escorre o tempo na ampulheta a areia ruidosa esvai e a vida escorre em canaletas, em telhados, em palavras, em expressões repetidas e reverberadas na caixa craniana, nos corredores escuros E ao fim, o que esperamos é a luz. A sinapse iluminada da ideia A sinapse dourada da invenção A palavra silente presente nos olhos A semântica pulsante do corpo Os signos que bailam despojados de roupas ou insígnias Escorre o tempo sobre as pálpebras sobre olhos embaçados sobre a boca ressecada sobre palavras desidratadas sobre sílabas sincopadas na dor de consciência. Escorre o tempo sobre paradoxos. Sobre escolhas enigmáticas Sobre a moral despida de bom senso. Escorre o tempo sobre metáforas Pecam-se em metáforas. Autistas, esquizofrênicos, retardados em geral. Imperdoável nomeá-los Mas, eles existem. São humanos, humanizáveis e perecíveis. Escorre o tempo sobre a lágrima Da mágoa esquecida Da insanidade súbita. Escorre sobre os cavalos e corrói ferraduras e lembranças. O subtraído da memória subsiste nos diários de sentimentos arquivados no inconsciente. Nada é apagado. Nem pela morte. Nem pela sublimação da alma. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 31/07/2020
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