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surpresa
surpreenda-me
quando quero de você o arlequim, seja o pierrot surpreenda-me quando quero de você o verdugo, seja a vítima surpreenda-me quando quero de você o zangão seja a abelha-rainha diga aonde há todo mel do mundo, todas as nuvens do céu, aonde cada estrela que se esconde no breu da noite diga urgentemente aonde posso matar minha sede, apear meu cavalo, deixar a sós o obelisco da avenida central diga-me em que rumo vai seu desvario mas não me deixe amarrada nas bússolas do tempo não me deixe aqui aprisionada no dejà-vu essa cena que se repete no mesmo brilho de flash faça-me viver a paixão num só silêncio, num só momento que de tão único é verdadeiro, irrepetível que meus olhos sejam arrancados pela realidade que minhas palavras sejam estirpadas de minha boca, que meu corpo perca seus sentidos e, exausto só lembre da alma surpreenda-me com susto, ou um soluço com um espirro, ou uma idéia não permita que siga acreditando no mesmo na rotina, no infindável das horas, nos relógios a me envelhecer pois as emoções não envelhecem o meu tempo é o tempo por dentro por entre frestas por entre arestas por entre a areia da ampulheta as tensões de meus músculos podem ser frouxas, vagas e trôpegas mas retesam e alinham meu libido dessa sintonia dessa harmonia das cordas vocais saem fonemas, saem gemidos, saem grunhidos do animal ao racional percorrem do chão ao céu do finito previsível ao infinito inesperado de cada um de nós sê pequeno em sua imensidão sê caçador de si mesmo arremesse-se neste abismo diário e surpreendente descubra-se no labirinto de viver mas quando tudo passar, mas quando o cálice secar, seja o oásis no deserto seja a sombra diante do sol a pino esta é pequena e frágil mas desafia todos os dias o astro-rei abriga poetas e loucos abriga mais que tudo a surpresa do estio.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 22/10/2007
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