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velho cão
meu velho cão
tem quase vinte anos era inteligente e, hoje está senil era lépido agora está lerdo, quase trôpego um dia destes, se perdeu em seu próprio quintal seu pêlo está caindo seus olhos fogem da luz intensa e, seus ouvidos fracos apenas intuem sobre os ecos havidos meu velho cão em meio ao monte de areia está sujo não me conformo. vou lá, dou-lhe um banho e fico com remorso pois cansei o pobre cão que dorme agora profundamente ressona o sono dos justos meu velho cão é meu amigo fiel leal e único nunca encontrei tanta doçura num só olhar nunca encontrei a exatidão do encontro quando exatamente me recebia lânguido e faceiro, eu vinha cansada das aulas, das lidas, do stress diário e, ele me renovava as forças gostava de brincar de bolinha, puxava minha roupa, roubava minha atenção de sobre o peso do mundo que gira sem parar quando ele se for, ainda assim será esse meu amigo sua amizade está registrada para sempre, até quando eu também me for e, então caminharemos juntos pelos caminhos infinitos, atrás dos potes de ouro no fim do arco-iris quando eu me for, não haverá distinção entre ser racional e irracional entre ser gente ou ser cachorro seremos amigos irmanados na paixão de uma parceria parceria de uma vida inteira seremos amigos inspirados na proeza de comungarmos secretamente muitos momentos únicos de contemplação e compreensão senhor, sei que tens muitos por quem olhar... mas eu lhe rogo dê um espiadinha aqui para baixo pra esse meu amigo permita que ele parta sem dor pois somos afinal todos filhos de deus.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 03/11/2007
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