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![]() Abri a janela e os raios dourados entraram e tornaram tudo colorido e belo. Abri a porta e o vento sibilando entoava mantras desejando boa sorte. Caminhei com passos tímidos e inseguros. Fui até o alpendre. E, lá um pássaro azul gorjeiava. Tudo parecia tranquilo e pacato. Mas, mais adiante... Alguém agonizava por falta de ar. Outro, agonizava por falta de alimento. E, mais outro, por simples ansiedade e depressão. O vírus invisível a caçoar dos sentimentos humanos. A desatar afetos e laços. De repente, o silêncio era privado de semântica. E, a metafísica era carente de fé. Voltei para meu quarto Cabisbaixa, mirando os passos e o bico dos sapatos que já estavam sujos. Minhas mãos trêmulas tentavam esculpir algum gesto. Talvez, apreender esperança. Esfregá-la em sinal de alento. Na solidão dos dedos. Na dicção das palavras. E, na poesia inata esparramada nas paredes. Nas lembranças e, principalmente, na morte. Ninguém escapa da morte. E, se escapa, envelhece e se aproxima dela, lentamente, como um devaneio nostálgico. E vem os flashes... O primeiro baile. O primeiro mote. O primeiro beijo. O primeiro abraço. E, enfim, o último remanso. A certeza que a eternidade se esconde em pequenos devaneios. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 14/04/2021
Alterado em 14/04/2021 Copyright © 2021. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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