![]() |
|
![]() Roubo poéticoVou roubar-lhe algumas horas. Para tê-lo só para mim. Em silêncio. Com seu olhar contemplativo. E, o infinito deitado no horizonte dormia sobre reticências.
Vou roubar-lhe algumas horas. Para guardá-lo em um relicário. Como uma medalha benta. Como uma divindade de expressão enigmática.
Queria contemplá-lo A sua beleza. O seu corpo. E, a sua alma difusa. Seu lépido espírito a escorrer pelos ventos. A bradar coragem. E, a inspirar miragens em pleno amanhecer.
Vou roubar-lhe alguns escritos seus. Sua caligrafia bonita e desenhada. A exalar o perfume de lavanda. Seus dedos compridos, como de um pianista. Mas, você era poeta. E, eu sem vocação para ser musa.
Mas, você era tanto E, eu tão pouco. A vastidão ao lado da iniquidade.
A revoada de pássaros. O vento frio. E, a tarde desceu sangrando. Pela vida que se esvaiu.
O trampolim da dúvida. A ironia do conhecimento. E, a tristeza que aborta a culpa E, vive apenas de responsabilidades.
A violência do tempo. Que nos envelhece até matar. Vou roubar-lhe algumas horas. Para dirimir toda eternidade.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 29/08/2022
Copyright © 2022. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


