"O conhecimento é o mais potente dos afetos: somente ele é capaz de induzir o ser humano a modificar sua realidade." Friedrich Nietzsche (1844?1900).
 

Professora Gisele Leite

Diálogos jurídicos & poéticos

Textos

A dimensão da crônica
A dimensão da crônica



A crônica exige uma visão muito atenta para a apreensão tanto de seus limites quanto de seus alcances. Desde a Idade Média, o cronista desde a Idade Médica já tinha uma narrativa de viés documental, à documentação do cotidiano. E, na modernidade é dotada de livre arbítrio que a faz com que sua abordagem temática ultrapasse esses limites .

Esse processo de liberdade faz com que o escritor tenha uma visão subjetiva  para a narrativa que assumiu, entre nós, o papel de texto que privilegia a linguagem coloquial e cujos assuntos se voltavam para as amenidades.

Antonio Cândido questiona a expressão gênero menor e assinala para os milagres da simplificação  e naturalidade. E, nestes dois aspectos, o estudo verifica que a questão da simplicidade, linguística e temática e, até mesmo o caráter breve do texto da crônica tem sido elementos propiciadores ao acesso do leitor à visão humana no que se refere ao dia a dia.

O que Antonio Candido se propôs a afirmar que ao não lançar mão de grandiloquência e que ainda que a perspectiva do cronista não seja a dos que escrevem do alto da montanha, mas do simples rés-do-chão, é que a crônica pode assumir o caráter de texto literário e seu comprometimento com a temática cotidiana poderá estar impregnada de elementos expressivos que possibilitem a perceber outros pactos do texto com aqueles não pré-estabelecidos.

De acordo com Eduardo Portella (1975) o que interessa é que a crônica acusada injustamente como um desdobramento periférico do fazer literário, é próprio fazer literário.  Assim, segundo o fazer literário de Fernão Lopes , o cronista-mor da Torre do Tombo, enquanto reinava Dom João I: a carta de Pero Vaz Caminha que constituiu o primeiro documento com o registro de imagens e impressões sobre a nova terra: o nascimento do folhetim, advindo da França, na imprensa brasileira; a disseminação da crônica pela literatura na modernidade e a percepção de sua relevância de objeto literário.

Desde a Antiguidade há a presença da crítica literária, até ao espírito do Modernismo transitando neste estudo na intenção de observar a observar a importância do texto literário da crônica. O caráter subjetivo da crítica e a qualificação literária da crônica, a democratização da arte e ainda a discussão instaurada na reflexão sobre a qualidade de objeto literário oferecem suporte ao estudo.

Ma Idade Média apareceu a crônica como uma espécie de texto pelo qual os escritores serviam para organizar os documentos e as narrativas sobre a história do Reino, em ordem cronológica.  E, a própria etimologia da palavra já traz a marca temporal não sendo mero relato sobre uma ou outra personagem, sendo o objetivo primeiro registro histórico e a documentação. Dentro da documentação deu-se o surgimento da crônica. Em 1434, Fernão Lopes, além de pesquisador, promovido à cronista-mor do reino português, incluía em seus relatos não apenas as ações de reis e nobres, mas submetia os dados a um criterioso exame.

A partir deste momento, via-se o limite entre as teorias do antropocentrismo e do teocentrismo e, o homem dispôs-se a interferir objetivamente no mundo em que vivia. E, passou a valorizar a própria capacidade intelectual e artística, tornando-se autor de descobertas científicas e criador de obras que seriam admiradas por séculos.

A visão medieval de Fernão Lopes, entretanto, não impede a inscrição humanística que ele faz da história.  Assim, preocupava-se em informar o leitor sobre os mínimos detalhes em que caracterizavam a história indo até a valorização do aspecto plástico que o texto proporciona, o que fez de Fernão Lopes um instaurador de um status literário ao texto cronístico.
A crônica se traduzia num estilo elegante e coloquial sendo entremeado de narrações e descrições, a partir de Fernão Lopes, um espaço que pode levar o cronista à recordação e as impressões pessoais ao narrar o fato histórico, registrando, portanto, uma nova espécie narrativa.

A atividade historiografia evoluiu desde o frio e árido rol de nomes até a narração e interpretação dos fatos. Todavia, somente com Fernão Lopes adquire superior relevância, graças ao sentido duplo com que é praticada: o literário e o histórico propriamente dito.

Os primeiros escritos de informação sobre o país tem cunho notadamente descritivo e objetivavam fazer levantamentos gerais da terra nova descoberta.

O escrivão, Pero Vaz de Caminha imortaliza-se  pela carta ao rei D. Manuel a fim de comunicar a descoberta e descrever  os primeiros contatos entre os europeus e os nativos.

Muitos outros relatos foram feitos, no entanto, é o texto de Caminha que melhor registra a  terra brasileira, e ao acrescentar ao texto impressões pessoais, elementos  mágicos, características fantásticas, manipular a linguagem, por não se  limitar ao simples relato impessoal; e por deixar demonstrar o entusiasmo provocado pelas novas imagens que se apresentam na descrição do  novo mundo e na visão edênica da nova terra, Caminha propicia o caráter  literário de seu texto.

O conceito da função poética  cujo objetivo é a mensagem por ela própria onde se pode detectar a função literária do texto de Caminha que ao relatar a história do descobrimento do Brasil o faz com olhar bastante subjetivo.

A esta época, a ausência de atividade literária que construísse a identidade brasileira, fez a crônica bem mais que registrar o chronos e as imagens grandiosas fotografadas pelas retinas de seus cronistas, servir de legítima representante para instauração do espírito brasileiro.

Já na segunda metade do século XIX, em virtude da situação política pela qual passava o país, a imprensa brasileira apresentava uma atividade jornalística bastante conservadora, entre 1830 aa 1850, os pasquins começaram a desaparecer, visto que cumpriam papel importante na realidade política, que a partir daquele momento toma outro caminho e visa à consolidação do regime escravagista e feudal que sustentava no latifúndio.

Assim, desapareceu a imprensa de caráter político e, surge a fusão da literatura com o jornalismo : a comunhão de escritores com os homens do jornal. A literatura que mantinha uma ligação com revistas e jornais especializados, com a decadência da imprensa política, funde-se a esta.

E, a sequência de transformações foram muito significantes pois a burguesia era a classe consumidora da leitura de emoção e de entretenimento. Chega até os brasileiros, o folhetim que atende às exigências da democratização do jornal e divulga de forma mais ampla do que antes era restrito apenas a um grupo social.

Havia duas espécies de folhetim , o do romance e o das variedades e, este último foi o responsável pala origem da crõnica. E, essa nova entidade literária que apareceu no país, se incorporou ao espírito da imprensa periódica, seu espaço, no jornal, surgiu fundamentalmente dedicado à amenização, ao entretenimento, às questões cotidianas.

Todas as formas e modalidades de entretenimento de leitura são absorvidas pelo novo espaço. E, eis que ali se registrou-se tudo. Ao folhetinista cabia a tarefa de preencher o folhetim, registrando acontecimentos e, lhes emprestando sua sensibilidade num exercício de liberdade de expressão.

Logo no começo do século XIX le feuilleton designa um locus preciso do jornal: o rez-de-chassée ou rés-do-chão, rodapé, geralmente de primeira página e cuja finalidade é precisa, destinado ao entretenimento. E, já se podia afirmar que tudo o que haverá de constituir a matéria e o modo da crônica à brasileira, desde a origem, é a vocação primeira no espaço geográfico do jornal.

Machado de Assis fez em 1859 na revista “O Espelho” quando observou literalmente: Mas comecemos por definir a nova entidade literária. O folhetim, disse eu  em outra parte, e debaixo de outro pseudônimo, o folhetim nasceu no jornal, o  folhetinista por consequência do jornalista. (...) O folhetinista é a fusão agradável do útil e do fútil, o parto curioso e singular do sério, consorciado com o  frívolo. Estes dois elementos, arredados como polos, heterogêneos como água  e fogo, casam-se perfeitamente na organização do novo animal.

Aliás, sobre a vasta produção cronística de Machado de Assis aponta-se que o escritor se valeu da crônica durante quarenta anos que contribuiu para a sedimentação de sua produção literária. A crônica não foi um texto-ponte para outros os maiores. É a solda capaz de unir uma produção literária de mais de quatro décadas.

Ao participar por longo tempo como cronista do Diário do Rio de Janeiro, Semana Ilustrada, O Futuro, Ilustração Brasileira e em O Cruzeiro, a parceria entre a literatura e o jornal traduzia a opinião de Machado de Assis sobre a atividade do jornalista e do folhetinista. Ao primeiro reservava a luz séria e vigorosa, a reflexão, a observação profunda; ao segundo, cabia o devaneio e a leviandade.

E, Machado  se valeu muito deste novo veículo de transição, por utilizar-se dela como experimento para o exercício da narrativa. E desde as frivolidades e amenidades aos assuntos polêmicos, nobres e interessantes para os quais Machado emprestou seu olhar de cronista maior.

A importância do folhetim toma, ao assumir, gradativamente, um lugar de atenção entre os espaços dedicados até então as publicações jornalísticas ou literárias, o que gerou enorme repercussão. Assim, o folhetim representou um signo literário diferente. E, é Machado de Assis um dos escritos que mais tenha usado referências sobre o novo objeto em seus romances e contos.

Um ensaio inglês exigiu uma delimitação de significação para o estabelecimento da diferença entre tal objeto e crõnica visto que, muitas vezes, as definições podem causar confusão, pois a essência do ensaio reside na palavra falada e elocução oral. Informal essays ou formal essays definiam a natureza dos ensaios .

O primeiro ficava caracterizado por linguagem oral, familiar, nutrido pela impressão pessoal do ensaísta de suas experiências, lembranças, recordações, fatos de seu tempo. O segundo, o conceito de estudo de reflexão. E, entre os brasileiros, o sentido de ensaio transpôs a significação antes estabelecida: os informal essays, que exprimem o espírito livre, revelam reações pessoais, tornou-se a crônica.

A crônica é, portanto, o texto leve, a expressão do cotidiano. Não obstante, entende-se facilmente por que a crônica tenha se aclimatado  tão bem no jornal – “fusão admirável o útil ao fútil, o parto curioso e singular do sério, consorciado com o frívolo”,  segundo Machado de Assis, em “O Espelho”, não excluindo a marcada expressão lírica.



A crônica se propagou pelo folhetim bem como outras formas literárias onde era publicados romances em capítulos, textos de ficção, contos e prosa poética. José Alencar  que estreou como folhetinista do Jornal do Correio Mercantil do Rio de Janeiro, em 1854, Manuel Antônio de Almeida e Lima Barreto são exemplos de escritores que usaram o espaço para seus exercícios de literatura.

O desenvolvimento notadamente técnico e científico marcou as primeiras décadas do século XX e então novas ideias, ao sabor da ciência, ganhavam espaço na vida cotidiana do homem. Sinais da nova civilização surgia e se manifestava na busca, principalmente, na valorização de outros modos de expressão.

Além da tentativa de ruptura com os valores tradicionais, o espírito moderno busca uma reinterpretação da vida presente e do progresso, incorporação do cotidiano e do popular à literatura. O desejo de buscar novos horizontes e caminhos para as manifestações artísticas e resgate da identidade nacional, o sentimento íntimo brasileiro, revela ser a crônica um dos recursos narrativos caracterizadores deste momento.


Do jornal, a crônica ganhou asas e libertou-se e, passou a viver por si mesmo. E, com o advento do Modernismo, muitos escritores aderem ao novo prazer de escrever crônicas, então tivemos Mário de Andrade, Oswald de Andrade , Vinícius de Moraes e Drummond. Cada um destes emprestando ao texto cronístico seu estilo, imprimindo emoções particulares, e sua visão de mundo, seu olhar bastante subjetivo da realidade, dos fatos e dos acontecimentos. O plano expressivo do escritor estava na forma de abordar os assuntos. Mais uma vez, a crônica servia de laboratório literário, lugar dde experimentação para o escritor narrar os acontecimentos que lhes cercam e a vida do homem do século XX.

Com os blogs ou weblogs a crônica ainda galgou o dinamismo do século XXI. E, seguindo a tendência do momento e de oturos e de outros gêneros, a crônica se convertia num meio de mapear e descobrir um país heterogêneo e complexo, largamente desconhecido de seus próprios habitantes, caracterizado pelo desenvolvimento histórico desigual, de modo que o processo de modernização podia ser acompanhado pelos contrastes entre os bolsões de prosperidade e vastas áreas de miséria, e o próprio mundo moderno parecia nascer de mistura com traços remanescentes de velhas estruturas da sociedade tradicional. É assim que uma consciência mais abrangente do país passa a reger o espírito da crônica modernista.

O crítico Eduardo Portella apontou a vida além da notícia e foi oferecendo à crônica outros caminhos e, assim, das amenidades vai ganhando força e transcendência e o quee era de cunho jornalístico e urbano espraia-se até que a subjetividade do cronista supere a objetividade.

Assim, a crônica assumiu um caráter de gênero literário autônomo e substituiu o essay dos ingleses .

Coutinho (1997) levou a inserir a crônica em diversas categorias como a crônica narrativa, a crônica comentário que visa à divulgação de fatos à informação; a crônica metafísica que possibilita até reflexões filosóficas e, ainda, a crônica-poema em prosa.

Seja de sua natureza ensaística ou de natureza literária, oturos elementos a envolvem e exigem maiores esclarecimentos e observação. A crônica e a linguagem crônica de caráter literário que permeia a anatomia do texto para ganhar novos adeptos entre a literatura.

É preciso investigar o que está estabelecido como padrão linguístico da crônica: nesta deve-se buscar linguagem da atualidade, sem, no entanto, desviá-la de expressões características do mundo em que foi produzida, são as marcas temporais que a conectam com o chronos, a noção de contemporaneidade do escritor com seu tempo e lugar.

A relação entre a sua origem jornalística tem muitas vezes desviado do papel literário que ela pode, legitimamente, desempenhar. Tanto que é tida por alguns estudiosos como gênero anfíbio que tanto vive nas efêmeras páginas de um jornal quanto da imortalidade que o livro pode oferecer, e assim, a crônica tem escorregado por entre estudos e definições.

A crônica pode penetrar agudamente na substância íntima de seu tempo, e esquivar-se da corrosão dos anos, como se nesta se pudesse sempre renovar, aos olhos de um leitor atual, um teor de verdade íntima, humana e histórica.

A definição de crônica e suas relações com outros campos do conhecimento atestam a sua importância no cenário cultural e literário brasileiro, responsável pela importância que a nova entidade representa, ocupando um lugar tão relevante como as demais espécies literárias. Assim, a mobilidade que a crônica se permite somada ao espírito da modernidade a faz incorporar o status de objeto literário, feito para permanecer.

A crítica não está presa à investigação subjetiva, nem proceder ao julgamento insensível do escritor e de sua obra e entendendo estar ela ligada aos métodos, o olhar da crítica literária parece ter evoluído ao receber a abertura teórica da reflexão contemporânea , incorporando um mesmo pensamento sem perder o rigor diante do fenômeno literário.

Novamente, o crítico Eduardo Portella  "quando o conhecimento da literatura  começou a se constituir criticamente, reflexivamente,  ele instaurou uma ampla controvérsia metodológica, a qual se apoiou em bases científicas:  a crítica deixava de ser uma leitura vertical para se converter num levantamento topográfico de emoções fáceis".
A crítica literária  de bases científicas encontrava obstáculos. Entretanto sua evolução tornou-se consequência no desenvolvimento no universo da criação literária.

A crônica brasileira, apoiada na produção voltada para a massa,  disputa espaço junto ao romance, o poema e o conto. O caráter transitório  deste gênero tem levado a crítica a refletir sobre a permanência deste objeto estético.

Entretanto, ao entender que o discurso literário se resolve no nível  da linguagem e que ela é a fonte da criação, quando rompe as relações  exatas entre o significante e o significado, o signo poético se estabelece.  Portanto, quando o cronista instaura em seu texto a transgressão da linguagem, ele retira acrônica, antes confinada à paraliteratura, do universo  do não literário:

O que interessa é que a crônica, acusada injustamente como um desdobramento marginal ou periférico do fazer literário, é o próprio fazer literário.

E quando não o é, não é por culpa dela, a crônica, mas por culpa dele, o cronista. Aquele que se apega à notícia, que não é capaz de construir uma existência além do cotidiano, este se perde no dia a dia e tem apenas a vida efêmera do jornal. Os outros, esses transcendem e permanecem (PORTELLA, 1985).

A poética ensina que a essência da poesia consiste nas dimensões  translinguísticas abarcadas pela linguagem literária, refutando uma visão  de linguagem como apenas uma relação de significado e significante.

A linguagem poética encontra na linguística os moldes para sua criação, o  instrumento que possibilita o estabelecimento do ser literário, entretanto  a linguagem literária rompe o modelo linguístico e projeta a linguagem a  outra dimensão. Para se entender o ser da literatura e o que lhe é inerente,  é necessário investigar a linguagem que alimenta a literatura, na qual ela  cria novos significados.

A chave já não é mais a dicotomia saussuriana,  mas uma relação tridimensional que estabelece o fenômeno literário e  que possibilita o entendimento da literatura: "A expressividade da obra  de arte, a novidade de sua estruturação, reside precisamente nessa força  de apresentar dimensões heterogênicas, deixando sempre transparecera  unidade".

A linguagem literária tem-se voltado, cada vez mais, para a natureza do discurso; a literatura da modernidade descobriu sua função lúdica, afastando-se da pureza estética dos clássicos e da importância semântica dos românticos, e encontra assim, sua especificidade poética no Modernismo.

Os gêneros  e as espécies literárias transpuseram seus limites  metodológicos e são concebidos pelo escritor cada vez mais faminto de  novidade.

Na descrição dos gêneros literários, a teoria clássica apoia-se na  afirmação de que cada gênero é único e difere quanto à natureza e ao  prestígio, e que sua fusão não deve ser permitida. Já uma teoria moderna  acredita na miscigenação dos gêneros.

A crônica revitaliza a segunda teoria , talvez se inserida num posgnero em função de seu transitar pelo universo literário consagrado pelas grandes obras. Ao apresentar um texto  para a apreciação de um estudo crítico, este procedimento irá suscitar um  princípio ordenador, uma aplicação da teoria dos gêneros para organização de sua estrutura.

Contudo, inserir a crônica numa espécie literária a penas levará tal atividade para um terreno inóspito - o caráter ambíguo da  crônica, sua aproximação com outras espécies, e sua própria caracterização no território dos gêneros, provará que essa delimitação de cunho didático verificará a certeza de que os gêneros literários não se excluem,  antes, se completam e se miscigenam.

Essa é uma característica da literatura da modernidade e da moderna teoria dos gêneros que não impõe limite às espécies literárias, nem coloca o autor preso em regras.

O prazer  do texto literário está ligado à dilatação das sensações e como fundamenta Wellek "O gênero representa, por assim dizer, uma soma de  processos técnicos existente, de que o escritor pode lançar mão e dispor  [...] o bom escritor observa o gênero [...] estende-o, dilata-o".
A crônica também pode ser dividida em diferentes tipos. Conheça as características de cada um deles:
Crônica descritiva: é tipificada pela descrição dos elementos na narrativa. Ou seja, é um texto que expõe os detalhes de objetos, lugares, personagens e demais partes.
Crônica narrativa: esse tipo de crônica é marcado pela narração em primeira ou terceira pessoa do singular. Ele costuma conter humor, ação e crítica.
Crônica dissertativa: pode ser escrita em primeira ou terceira pessoa do plural. Ela traz à tona o ponto de vista do autor sobre o assunto em foco.
Crônica humorística: humor, ironia e sarcasmo são os componentes da crônica humorística. Diferentes abordagens e estratégias podem ser adotadas nesse tipo de texto para tratar dos temas que impactam a sociedade de forma cômica.
Crônica lírica: no gênero lírico, a expressão de emoções é predominante. A crônica lírica, portanto, evidencia o sentimentalismo.
Crônica poética: utiliza versos poéticos em sua composição. Dessa forma, além de traços de poesia, também contém sentimentos e emoções.
Crônica narrativo-descritiva: esse tipo de crônica combina a narrativa e a descritiva.
Crônica jornalística: a crônica jornalística tem um viés do texto jornalístico no que diz respeito à veiculação de notícias e fatos. Dessa forma, busca abordar acontecimentos atuais, do mesmo dia ou semana, por exemplo.
Crônica histórica: ao contrário da crônica jornalística, que destaca eventos recentes, a crônica histórica relembra episódios passados.
Crônica-ensaio: diferente das demais crônicas, esta é difícil de prever pelo nome. A crônica-ensaio tece críticas ao que acontece nas relações sociais e de poder.
Crônica filosófica: carrega uma reflexão sobre determinado assunto.

A partir do século XX, a crônica ganha espaço nos jornais e imprime sua marca definitiva e diferenciada da identidade brasileira . José  de Alencar e Machado de Assis fazem dela e do espaço reservado a ela  no jornal o laboratório, abrindo, assim, as portas para a participação de  outros escritores.

Com o advento do Modernismo, muitos escritores absorvem o  novo gênero e colocam-no nos limites da literatura ao atribuírem à crônica a relevância de objeto literário quando comprovam que as abordagens  do cotidiano não impedem transpor o gênero para o caráter de texto literário.


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GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 07/09/2025
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