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![]() De onde vem a poesia? A rima insólita entre miserável e admirável. De onde vem o lirismo bastardo? Escondido por entre brumas, entre nuvens ou quem entre multidões extrovertidas a gritarem palavras-de-ordem... A ruidosa multidão exprime fonemas e impropérios xingamentos egoides, vitupérios dos mais castos e moralistas...
De onde vem a poesia? Da dor da existência? Da alma que lateja sentidos, valores e crenças? Do corpo calejado pelos anos e cansado das rotinas?
De onde vem a poesia? Será um beija-flor? Será uma arara azul? Ou uma águia altaneira? E, se vier dos vermes, dos ratos e parasitas? E, se vier das entranhas do mal e do egoísmo?
De onde vem a poesia? Eu a ouço pelos ventos, pelos odores inebriantes e, por cenários fragmentados entre a memória e o presente?
A poesia vem do afeto. Afeto disseminado e universal. Vem da magia diária de sobreviver, e perseguir a dignidade como se fosse o último herói...
De onde vem a poesia? De teus olhos, de meus olhos, dos olhos atentos e distraídos e, dos olhos cegos a perceberem auras, espíritos e fantasmas.
Quando dispo-me da poesia, a mudez árdua de ser apenas um ser... pretensamente racional, pretensamente civilizado e, quiçá educado... Visto-me com as armaduras de guerreiros milenares, armo-me com a sabedoria dos antigos, e galgo o caminho dos estoicos. E, no fim, só sei que nada sei. E, me apiedo de minha própria ignorância, com a poesia pueril e plural que espanta todas as ganâncias;;;; GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 14/09/2025
Alterado em 14/09/2025 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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