Um conto humorístico
Xerxes era um sujeito inusitado. Não fosse a origem de seu nome, que é persa, que significa governante de heróis.
Havia casado várias vezes, tudo resultando em desastrosos divórcios... teve quatro filhos, sem ter acompanhado o
crescimento de nenhum deles. O engraçado é que Xerxes tinha o dom da vitimização... Ele era sempre a vítima. O não compreendido. O não aceito... e tudo mais... O mais engraçado que as pessoas ao seu redor tentava lhe advertir sobre coisas insuportáveis que ele fazia sem deixar chance para triunfar na empreitada amorosa. O último divórcio, foi uma batalha clássica, tal como a das Termópilas. Xerxes liderou seu exército contra uma pequena força espartana e seus aliados, obtendo uma vitória que permitiu a conquista de Atenas. Nesse último arranjo amoroso, ou será desarranjo, a pedra que moveu a discórdia era um enteado que era gay. Xerxes era homofóbico. Tentava disfarçar mas não conseguia. Aliás, acho que Xerxes acreditava que homossexualidade era infectocontagiosa. Não adiantava dizer-lhe que não... Então, Xerxes afirmava a pleno pulmão que a Marinha de seu país era uma "viadolândia". E, as demais forças armadas não...Que coibiam e discriminavam qualquer tipo de homossexualidade, fosse feminina ou masculina. No dia dos pais, Xerxes estava sozinho. E, nenhum dos filhos lembrou de sua existência e, assim, ficou deprimido... E se questionava: onde foi que errei? Bem, quem o observava, não entendi tamanha tristeza, se ele passara boa parte da vida, ignorando os filhos, apesar de pagar-lhes pensão alimentícia. Xerxes era comicamente trágico... De certa feita, num arroubo alcóolico proferiu sua sentença final. Ficarei sozinho. O mundo não me entende... Todos riram... e, outros esconderam a vontade de rir... Inábil para os relacionamentos amorosos prolongados. Xerxes estava fadado a ficar sozinho. Era engraçado perceber que Xerxes não tinha uma visão crítica de sua própria realidade...