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Sociedade de informação versus sociedade do conhecimento
Vivenciamos numa era de mudanças ou numa mudança de era. Há profundas transformações que acompanham a acelerada introdução na sociedade da inteligência artificial e as novas tecnologias da informação e comunicação (TICs). Sem dúvida é uma nova etapa da sociedade industrial, da formação da aldeia global, a era tecnotrônica, uma sociedade pós-industrial, a sociedade da informação e sociedade do conhecimento são alguns dos termos cunhados com intenção de identificar e entender o alcance destas mudanças. Mas enquanto o debate continua no âmbito teórico, a realidade antecipa os efeitos e a terminologia mais adequada para ser utilizada. Basicamente qualquer terminologia usada apresenta um atalho que nos permite acessar um fenômeno tanto atual como futuro, sem ter de descrevê-lo todas as vezes, mas o termo escolhido por si só não define o conteúdo. O real conteúdo surge através de usos em um dado contexto social que, por sua vez, influem nas percepções e expectativas, uma vez que cada termo carrega consigo um passado e um sentido ou sentidos, com sua respectiva bagagem ideológica e filosófica. Era de se esperar, então, que qualquer termo que se queira empregar para designar a sociedade na qual vivemos, ou à qual aspiramos, seja objeto disputa de valores que existem por de trás em cada projeto de sociedade. Segundo a Cimeira ou Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI) , há dois termos que ocuparam o cenário, a saber: a sociedade da informação e sociedade do conhecimento com suas respectivas variantes. Apesar de que o âmbito ter imposto o uso da primeira terminologia, desde o início houve falta de conformidade e nenhum termo conseguiu um consenso. No século XX, a sociedade da informação inegavelmente foi a expressão que se consagrou como termo hegemônico, não porque expresse necessariamente uma clareza teórica, mas principalmente pelo batismo que recebeu das políticas oficiais dos países desenvolvidos e ainda pela glorificação que pontuou a Cúpula Mundial. Os antecedentes do referido termo, porém, datam de época anterior, pois já em 1973 o sociólogo norte-americano Daniel Bell introduziu o conceito de sociedade de informação no seu livro intitulado “O advento da sociedade pós-industrial” onde formulou que o eixo principal dessa sociedade será o conhecimento teórico e adverte que os serviços baseados no conhecimento terão de se converter na estrutura central da nova ordem econômica, e de uma sociedade sustentada na informação , onde as ideologias serão supérfluas. Pretende-se fomentar a noção de que as TICs desde que sejam bem utilizadas e geridas com o fito de garantir maior disseminação da informação a todos os tecidos sociais, a fim de que se consiga promover a revolução da informação para todos, auxiliando no desenvolvimento da sociedade do conhecimento, com amparo nas possibilidades mais acessíveis. As primeiras manifestações sobre uma nova sociedade calcada nas potencialidades da informação e do conhecimento, inclusive reconhecida como geração de riqueza, foi manifestada por Bell conforme citou Burch e Nehmy & Paim. Foi Bell que trouxe para o debate as alterações realizadas com base nas tecnologias insurgentes. Segundo Nehmy & Paim que desenvolveu algumas teses para a nova sociedade, baseada em critérios como alteração no setor de serviços pois aumentariam os cargos vinculados ao conhecimento; o conhecimento iria servir como propulsor da concorrência entre as empresas, de forma que a pesquisa e o desenvolvimento ao lado das inovações tecnológicas passariam a ser centro de atenção dos países que buscam o desenvolvimento. Dá-se a criação de uma elite do conhecimento que seria a classe dominante nesta sociedade, ou seja, quem detivesse conhecimento, deteria o poder, o estreitamento entre os interesses econômicos e o conhecimento; o deslocamento da importância do conhecimento humano para a relevância em transmutar estes conhecimentos para dentro de computadores. Depois de Bell com sua sociedade pós-industrial, onde o conhecimento assume um caráter utilitarista, outros doutrinadores seguiram tentando apontar os prováveis rumos da nova sociedade e, veio a receber diversas nomenclaturas, de acordo com a visão e a teoria de cada um destes. Foi em 1990 que o termo "sociedade da informação" aparece no bojo do desenvolvimento da internet e das tecnologias da informação e comunicação. Mas, a partir de 1995, o termo é inserido na agenda de reuniões da Comunidade Europeia e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico que reúne os trinta países mais desenvolvidos da Terra. O termo igualmente fora adotado pelo governo norte-americano bem como pelo Banco Mundial. Para a autora Burch o termo "sociedade da informação" passou a ser usado como construção política e ideológica, de forma unilateral dentro do contexto da globalização e para quem a meta seria o acelerar a instauração de mercado mundial aberto e auto-regulável. Aliás, política que passou a contar com o apoio dos organismos internacionais econômicos. Já para André Gorz a denominação escorreita seria "Sociedade da Inteligência" porque para o doutrinador a inteligência que é de fato mais importante. Referências: BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. BELL, D. O advento da sociedade industrial: uma tentativa de previsão social. São Paulo: Cultrix, 1978. BORGES, M. A. G. A informação e o conhecimento como insumo ao processo de desenvolvimento. Revista Ibero-americana de Ciência da Informação (RICI), v.1, n. 1, p.175-196, jul./dez. 2008. Disponível em: http://164.41.122.25/portalnesp/ojs-2.1.1/index.php/rici Acesso em: 23.09.3019. BURCH, S. Sociedade da informação/ sociedade do conhecimento. In: Ambrosi, A.; Peugeot, V.; Pimenta, D. Desafios das palavras. Ed. VECAM, 2005. Disponível em: http://vecam.orgqarticle699.html Acesso em: 23.09.2019. CASSIOLATO, J. E. 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GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 07/01/2026
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