"O conhecimento é o mais potente dos afetos: somente ele é capaz de induzir o ser humano a modificar sua realidade." Friedrich Nietzsche (1844?1900).
 

Professora Gisele Leite

Diálogos jurídicos & poéticos

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Ethos cibernético
Ethos cibernético

Há realmente novos costumes que surgiram na frenética cibercultura . Apesar de que tal multiverso ainda é influenciado por uma sociedade conservadora e sob a ótica e leitura de valores oriundos da modernidade, com raízes e lógica analógica.

De fato, é um concreto desafio conciliar o contexto cibernético e o moderno sendo que naturalmente surgem conflitos bem como é intrigante a formação da sociedade harmônica sem que isso signifique erigir um óbice aos crescentes progressos registrados pela evolução científica.

A era contemporânea notabiliza-se por não oferecer rigores conceituais, o que oferecer rigores conceituais, o que nos força a refletir sobre um novo ethos que se amalgamou exatamente na sobreposição geracional.

A cibercultura não se libertou de seu legado analógico. O contexto contemporâneo é composto pelo entrelaçamento de diferentes ciências juntamente com as inovações tecnológicas anteriores e que francamente viabilizaram o surgimento da maioria das novas tecnologias.


Registram-se notáveis progressos nas áreas como o eletromagnetismo, metalurgia, química, genética e tantas outras áreas e, o smartphone tornou-se o novo ícone da nova cibernética que se encontra integrada em nosso cotidiano.

Uma das perguntas mais feitas e que insistimos em fazer é: Qual o sentido de tudo isso? Somos uma reles pequena faísca em meio de um planeta, que está nesse multiverso, infinitamente ainda maior.

Afinal, por que a investigação sobre qual deve ser a melhor forma de viver não pode prescindir da reflexão sobre qual a nossa razão de existir.

Qual é a causa primeira de todas as coisas? Quando se dá exatamente a chegada da alma ao corpo? Será que Espinosa tinha razão quando abriu sua Ética com as origens de Deus e da alma?

Obviamente todas as ponderações sobre nossa origem são especulativas até mesmo aquelas tomadas hoje pela ciência como as mais prováveis.

No fundo, todos os princípios morais caminham para o fim de tudo. Que pode ou não coincidir com a extinção da finitude, a depender do pensador invocado.

Platão, certa feita, disse e, suas palavras foram recuperadas por Montaigne, in litteris: “Filosofar é aprender a morrer”.

O homo ciberneticus  está ainda imerso em valores conservadores que foram pontuadas por uma sociedade analógica. As ferramentas tecnológicas tão úteis para executarmos as tarefas rotineiras passaram (in)conscientemente a ser autênticos apêndices de nossa existência. E os conflitos geracionais ao lado da velocidade das mudanças passam a ser generalizados e seletivos.

E os que são desafiados a se adaptar às essas inovações, passaram a sentir a necessidade de uma nova ética, um novo ethos capaz de ser conciliadora com os valores da cibercultura, calcados no nanossegundo e com a sociedade mesodigital ou meso-analógica posto que detenha poderes político-econômicos e militares e, que somente aparentemente opõe-se diametralmente aos valores da geração insurgente.

Algumas respostas voltadas a maioria dessas cruciais questões, só deverão se apresentar no futuro, através de olhar observador e reflexivo de historiadores.

Precisamos nos munir de repertório necessário para escolher a melhor forma de conciliação, ao invés de sermos apenas platéia ou meros cúmplices de conflitos tópicos.

Confirma a história que as inovações técnicas e tecnológicas tendem a promover substanciais transformações em quase todas as áreas da existência humana.

Desde a invenção da roda e do domínio do fogo por nossos ancestrais, até as mais recentes tecnologias de informação e comunicação passando pela invenção da roda e os onipresentes aparelhos eletrônicos, tais como smartphones (telefones celulares inteligentes), computadores, câmeras digitais e toda sorte de inteligência artificial  que nos atinge de forma indefectível.

A duração da vida agora dourada pelo domínio do fogo e acalentada por seu calor, embalada pela forte dinâmica da roda, ainda mais iluminada pelo conhecimento e a comunicação imediata e instantânea.

Assim aprendemos a defender territórios, a proteger propriedades, a cozinhar alimentos, a transformar as matérias, a inspirar confiança, a pleitear a justiça e providências junto às repartições públicas, senão a igualdade, ao menos existe a equidade.

Enquanto a igualdade se refere às situações idênticas e equivalentes para todas as pessoas e situações. Já a equidade tem sua origem o vocábulo latino aequitas e que se refere à capacidade de apreciar e julgar com retidão, com imparcialidade e principalmente e por atentos para as peculiaridades de cada caso concreto.

A equidade significa a justiça natural, a disposição para reconhecer imparcialmente o direito de cada um, considerando o relacionamento entre os indivíduos em seu meio.

As inovações mais recentes e nem tão antigas como o domínio do fogo ou a criação da roda tal qual a invenção do telégrafo no começo do século XIX e do rádio, já na virada do século XX, mudaram profundamente nossa concepção e percepção de espaço e de tempo ao permitir a comunicação instantânea.

Vale lembrar que o paradigma dos telégrafos ainda é útil e serve de paradigmas para redes físicas de dados, e mesmo as fibras ópticas e toda a atual estrutura de telefonia celular, a comunicação de satélites, o wi-fi , o bluetooth  e continuam a usar as ondas do rádio.

Afinal é a combinação de ciências entrelaçadas com diferentes inovações tecnológicas que viabilizam o surgimento de novas tecnologias revolucionárias.

Sem o progresso científico não teria sido possível criar o fio de cobre componente mais básico e fundamental para toda invenção elétrica e eletrônica e de toda tecnologia presente em nossa realidade contemporânea.


GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 07/01/2026
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