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![]() Famintos, sedentos e carentes de afeto...Ensinar como profissão. Por vezes, era dolorido. Alunos famintos. Alunos carentes de afeto. Alunos e alunas como crianças negligenciadas e à margem do abismo social chamado Brasil. Então eu inventava aula no refeitório, aula com história em quadrinhos. Eu inventava Bazar e saia pedindo coisas aos conhecidos... alguns davam com maior prazer, por outros, criticavam-me.... Quando vinha o parco inverno carioca, alguns não tinham sequer um casaco, ou um blusa mais aconchegante. Fiz amizade com um dono de uma malharia... Como era técnica em contabilidade também, oferecia prestar serviços em troca de doações de roupas para crianças... No fim, o dono da malharia sempre doava... pois consegui sensibilizá-lo. Uma frase eu esculpi na mente de alguns: "A indiferença mata. A intolerância e a falta de empatia decreta uma morte lenta e cruel. Dê um pouco que seja e, a retribuição que terá é ter feito a diferença".... Quando sobrava merenda na escola eu mesmo levava para a Administração da Comunidade, e os olhinhos famintos de alguns brilhavam mais que um cometa. O tempo passou. Envelheci. Mas, aquela sensação de construir dias melhores, resignava-me por tudo. Pela política lastimável, pelo preconceito idiota de alguns e, até, pasmem, pela olhada de cima à baixo de minha pessoa. Eu era um "palito", 1, 78m e pesava 40 kg... Muito tempo passou, e me perguntaram as agruras não te machucaram? Sim, mas tudo foi um baita aprendizado. Pronto: desabafei! Ainda ouço a voz de criança que não conseguia nem pronunciar meu nome inteiro,,, chamando-me Tia Gi... GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 30/01/2026
Alterado em 30/01/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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