"O conhecimento é o mais potente dos afetos: somente ele é capaz de induzir o ser humano a modificar sua realidade." Friedrich Nietzsche (1844?1900).
 

Professora Gisele Leite

Diálogos jurídicos & poéticos

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Foragido da Justiça brasileira e libertado pelos EUA
Foragido da Justiça brasileira e libertado pelos EUA

No dia 16 de abril do corrente ano, nos EUA, Alexandre Ramagem apenas amargou dois dias de sua detenção, estando foragido da justiça brasileira e condenado a dezesseis anos de reclusão, tinha sido preso pela polícia de imigração americana conhecida por ICE e foi logo libertado.
Atualmente a relação diplomática entre EUA e Brasil é extremamente sensível pois há tensões que envolve o clã de Bolsonaro, ex-Presidente da República e condenado judicialmente por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
O filho foragido de Bolsonaro que vive nos EUA afirmou que Ramagem está livre e em casa, mas não se sabe o porquê de sua libertação. Aliados da família Bolsonaro afirmam que Ramagem sequer pagou fiança e que a situação migratória dele seria regular. Afinal, não é alvo de processo penal nos EUA conforme garantiu o influenciador e neto do João Baptista Figueiredo, o último ditador militar do Brasil.
A imprensa brasileira, no entanto, não especificou a atual situação migratória do ex-chefe da Abin nos Estados Unidos ao anunciar sua libertação, detalha o Le Monde.
A versão inicial sobre a prisão de Ramagem também é contestada. A polícia brasileira havia descrito a prisão do ex-deputado, na segunda-feira (13.4.2026), como resultado de uma cooperação com as autoridades americanas. Já os aliados afirmam que a detenção ocorreu por uma infração de trânsito e sem a participação das autoridades brasileiras.
O site do jornal Le Monde informa que Ramagem fugiu do Brasil em setembro, passando pela Guiana sem controles migratórios, e entrou nos Estados Unidos com um passaporte diplomático. O governo brasileiro apresentou um pedido formal de extradição em dezembro.
No ano passado, Donald Trump havia iniciado uma guerra comercial e diplomática contra o Brasil, denunciando uma “caça às bruxas” contra Jair Bolsonaro, condenado a vinte e sete anos de prisão por tentativa de golpe. Com a aproximação entre Trump e Lula, a situação melhorou sensivelmente, embora ainda não tenha voltado completamente ao normal.
Em novembro de 2025, Moraes decretou a prisão preventiva do ex-deputado. No mês seguinte, determinou que a Secretaria Judiciária do STF remetesse ao Ministério da Justiça os documentos necessários para a formalização do pedido de extradição. Uma semana depois, a pasta informou à Corte que havia solicitado ao Ministério das Relações Exteriores o encaminhamento do processo às autoridades norte-americanas.
O deputado não se encontra no Brasil desde setembro de 2025, mês em que ocorreu o julgamento do núcleo central dos atos golpistas. A rota utilizada para a saída teria sido terrestre e clandestina. Investigadores identificaram que Ramagem viajou de avião até Boa Vista (RR) — estado onde atuou como delegado da PF no passado — e, utilizando um carro alugado, cruzou a fronteira para um país vizinho, possivelmente Venezuela ou Guiana.
A pena imposta a Ramagem decorre do entendimento do STF de que ele utilizou a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), órgão que comandou durante o governo Bolsonaro, para monitorar ilegalmente adversários políticos e auxiliar em ataques ao sistema eleitoral brasileiro.
Paulo Figueiredo afirmou que Ramagem foi solto sem pagar fiança, não será deportado e aguarda julgamento de pedido de asilo nos EUA.
Em uma publicação nas redes sociais, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) celebrou a soltura de Ramagem e agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
"Ramagem solto e em casa! Agradeço principalmente ao Presidente Donald Trump e ao Secretário [Marco Rubio] pela sensibilidade em tratar do caso deste verdadeiro herói nacional, que mesmo perseguido não se abate", escreveu.
"Ramagem merece asilo na terra da liberdade ao lado sua brava esposa - incansável pela sua liberdade - e lindas filhas."
Em outra postagem, Eduardo compartilhou um vídeo de Ramagem encontrando e abraçando as duas filhas e a esposa. As imagens parecem retratar o momento em que o ex-deputado volta para casa após a soltura.
Segundo a denúncia da Procuradoria Geral da República que levou ao julgamento e condenação de Ramagem, o ex-deputado teria usado a estrutura da Abin em favor dos planos golpistas — comandando uma "Abin paralela" que monitoraria adversários e críticos do governo Bolsonaro, além de produzir informações falsas e ataques virtuais.
Além disso, Ramagem teria fornecido a Jair Bolsonaro material para apoiar o ataque às urnas eletrônicas e a intervenção das Forças Armadas.
Segundo a fonte ouvida pela BBC News Brasil, as informações sobre Ramagem foram repassadas há alguns meses, mas só agora a agência teria atuado para prender o ex-deputado federal.
Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira, a PF não menciona Ramagem, mas cita que a prisão de um "condenado" pelos atos de 8 de janeiro teria ocorrido em Orlando após cooperação internacional.
"A prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e as autoridades policiais dos EUA. O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, de golpe de Estado e de tentativa de abolição violenta do Estado de Direito", disse a nota.
Ramagem foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2022, com 59 170 votos. Em 2024, ele concorreu à Prefeitura do Rio de Janeiro, mas não teve sucesso nas urnas.

GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 20/04/2026
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