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![]() A verdade dos afetos humanosA verdade dos afetos humanos
Trata-se de tema complexo que transita entre a filosofia , a psicologia, a sociologia e até a neurociência. Define-se não somente por gestos de carinhos, mas pela capacidade de afetar e de ser afetado pelo mundo, alterando a potência de agir e pensar do indivíduo.
Para Spinoza enxergou o afeto que engloba as afecções do corpo, como num encontro com outros corpos, e as ideias dessas afecções na mente, aumentando ou diminuindo nossa potência de agir.
Sob a perspectiva de corpo e mente integrados, percebe-se que mente e corpo não se opõe, e sim, se complementam. Os afetos são vivências corporais conscientes.
Afetos vêm antes das emoções, relacionados ao pathos (paixões/experiências). As emoções são regras de ação estáveis que nascem dos afetos, tais como o medo que tanto leva à fuga como a alegria.
A função dos afetos conferem cor, sabor e consistência às experiências humanas, traduzindo um contexto de dramas existenciais humanos. Há vários tipos de afetos que vão desde raiva, medo, tristeza, alegria, euforia, entre outros, e que podem majorar ou mitigar a potência de agir.
As principais verdades sobre os afetos incluem a impossibilidade de controle absoluto. A influência externa e interna, a necessidade de conexão, pois a autoestima e originalidade são construídas pela forma como interagimos com os outros, tornando o afeto um antídoto vital nas relações humanas.
É evidente que a cultura e o gênero influenciam muito a forma de expressão dos afetos e, alguns estudos apontam que os homens são menos educados para lidar com emoções. E, os afetos correspondem aos espaços de subjetividade, o que permite ao indivíduo que possam seguir seus próprios desejos em vez de modelos preestabelecidos. Em resumo, os afetos são a essência da nossa interação com o mundo, essenciais para a nossa saúde mental e nossa capacidade de sobreviver em plena forma e de modo consciente.
Para Sigmund Freud, o afeto é a expressão qualitativa da energia pulsional (libido), representando a carga de intensidade emocional que acompanha ideias, memórias ou representações mentais. Diferente da representação (a ideia), o afeto é vivenciado como sensação, prazer ou desprazer, e atua como uma descarga de tensão.
Principais características do conceito em Freud:
Representante da Pulsão: O afeto é o modo como a pulsão (força interna) se faz sentir na mente, indicando "quanto" de energia está investido em algo.
Quantidade e Qualidade: Freud associava o afeto a um quantum de energia (quantidade) que se transforma em sensações conscientes (qualidade).
Destino no Recalque: Quando um pensamento é recalcado (tornado inconsciente), o afeto ligado a ele pode se soltar e se transformar em angústia, fobias ou sintomas conversivos (no corpo).
Clínica da Histeria: No início da psicanálise, Freud focou na histeria de retenção, onde o afeto "não descarregado" se convertia em sintomas físicos.
O afeto não é necessariamente consciente; ele pode ser reprimido, mas não recalcado da mesma forma que as representações, muitas vezes "deslizando" para outras ideias.
A amorosidade em Paulo Freire vai além das demonstrações de afeto e aproximação carinhosa; é tudo isso e muito mais: é cuidar do(a) outro(a) em plenitude; é compromisso com a justiça, a superação das opressões, com a liberdade que promove felicidade de povos e nações; reafirma o pacto pela vida!
Para Vygotsky: “Quem separa desde o começo o pensamento do afeto fecha para sempre a possibilidade de explicar as causas do pensamento [...] nega de antemão a possibilidade de estudar a influência inversa do pensamento no plano afetivo, volitivo da vida psíquica [...].
A maior verdade sobre os afetos é que integram a evolução do ser humano e, nos guiam ao caminho do aprendizado, civilidade e dignidade. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 10/05/2026
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