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lucidez
Existe um enorme silêncio nesse canto da sala Um cheiro estranho Os bibelôs se entreolham parvos Na expectativa de alguma tragédia arquitetada Os cães uivam lá fora chamando a morte As lanternas trimilicam ao vento Há a possibilidade de tempestade Meus olhos marejados pingam angústias lunares indecifráveis inquestionáveis Nesse silêncio de monastério ouço meus próprios passos E duvido do movimento A dinâmica é uma ilusão da inércia A inércia é a síncope contínua da dinâmica. Ilusões, frustrações. Dedos cortados, talhos abertos sem sangue, sem lágrimas. É a ausência de dor que esculpi o momento Nesse canto da sala pressinto que meu exílio é longe daqui Aonde conheço as coisas, as ordens e principalmente as desordens implícitas Minha severa honestidade mas parece crueldade, mas não é... Minha severa e fria razão parece desumana e profana mas não é. Não quero me defender Não quero acusar Estou farta do tribunal das consciências. Só quero ter o direito de escutar plenamente o que me diz meu silêncio interior ainda que não decifre tudo, ainda que não haja a palavra bastarda a infectar tudo de semântica e símbolo, ainda que haja somente gestos imaginários refletidos na lucidez do espelho.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 05/04/2008
Alterado em 21/04/2008 Copyright © 2008. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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