![]() |
|
![]()
high tech
hoje na primavera contida
as lágrimas brotam de fora para dentro lavam-me a alma, embebem-me de perfumes desconhecidos, esculpe-me a face humana e frágil hoje na estação chuvosa, o vento acaricia minha vontade de gritar, de grunir, de gemer as dores intensas até que exorcizem os demônios e, na clausura serena do quarto a porta é muralha inexpugnável trincos vedam intrusos, e a maçaneta é ficção que não quer funcionar hoje nas vestes cerimoniosas, talares robustos estamos munidos com armaduras medievais com traços contemporâneos o telefone é inteligente o elevador é inteligente o notebook é onipotente e, eu reles e humana e, eu falível e hesitante não consigo a exatidão de ser tão high-tech as ondas do satélite me acham aonde quer que eu vá... o chip embutido subcutâneo me faz ser dectável em qualquer lugar a pulsar meu corpo quente envolto de minha alma fria. eu em minha última versão quatro ponto cinco me sinto burra, não automática, não programável, não escaneável. Errônea e equivocada. A baixa resolução dos relevos circundantes deixam os olhos distantes, aflitos pois não podem ver e, não podem ver-se. não há espelho inteligente a emoção torneia a visão com distorções plausíveis mas não há como rastrear um caminho que só existe no imaginário não há como controlar tudo, o tempo todo... então,hoje resolvi não envelhecer nessa primavera chuvosa de lágrimas de cristal resolvi beber o licor enquanto a chuva não passa. desisti de ser high-tech.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 16/04/2008
Copyright © 2008. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


